Posted by : CanasOminous Sep 30, 2012


Minhas leituras mensais se revelam cada vez mais gratificantes, e aos poucos vou conseguindo comprar grandes obras das quais sempre ouvimos falar, mas eu ainda não tinha total conhecimento. Este mês ganhei de presente um livro que eu já buscava há anos, minhas irmãs me deram depois da bienal em São Paulo. Era a série de Ouro para Vinte Mil Léguas Submarinas, uma das obras literárias mais famosas do escritor Júlio Verne, publicada pela primeira vez em 1870. Como de costume, ao terminar a leituar gosto de pesquisar mais sobre o assunto e o autor, o que acarretou em uma série de informações sobre a vida deste fabuloso escritor. Nos últimos anos de sua vida, Verne escreveu muitos livros sobre o uso errôneo da tecnologia e os seus impactos ambientais, sua principal preocupação naquela época. É considerado por críticos literários o precursor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua.

É uma literatura para poucos, com linguagem altamente minuciosa e técnica pelo menos nessa versão que li, a leitura da obra nos proporciona uma viagem e visão das cenas tal como o leitor realmente estivesse realizando a aventura na companhia de um especialista, pois ela é toda narrada em primeira pessoa pelo Professor Aronnax, e devo dizer que em alguns dias de leitura nunca fiz tantas descobertas sobre o mundo submarino, a sensação é de realmente embarcar nessa viagem com um gênio de seu tempo, sempre em busca de conhecimento.

A possibilidade de visitar a mente de Júlio Verne (que vislumbrou a possibilidade da existência de uma máquina como um submarino antes do mesmo existir) e a descrição de territórios, paisagens e espécies de todo o mundo, são só dois dos muitos pontos fortes desse livro. Apesar do gênero tratar-se da ficção científica você lê muitos trechos com os olhos de alguém que aparenta ter viajado para todos aqueles pontos misteriosos do oceano, quando na verdade Verne nunca saiu da França, onde nasceu. É possível que todo o diálogo científico possa em certos momentos cansar o leitor, mas ao se compreender a intenção do autor, percebe-se que nada no livro é exagerado. Eu, como um grande apreciador de geografia e das vastas imensidões do oceano, acabei por me deleitar com informações que mais se assemelham à um Diário de Bordo, além de apenas proporcionar uma leitura prazerosa e interessante ainda nos ensina muito sobre os oceanos e criaturas que nem imaginávamos já terem sido catalogadas, especialmente há mais de um século atrás.

O Capitão Nemo tem fama de ser um dos personagens mais enigmáticos da literatura. Comandante do submarino Náutilo, era homem de poucas palavras e muita ação. Alguém que, devido a uma grande decepção, corta laços com a humanidade e endurece o coração. Júlio Verne o descreve como autoritário, quase um tirano; frio, do tipo que não deixa transparecer emoções; e cercado de segredos. Viajando a bordo do Náutilo estão o naturalista Aronnax, o criado Conselho e o arpoador Ned Land, que ora se sentem fascinados pelo capitão, ora o desprezam. Ninguém fica impune ao capitão Nemo, um homem cheio de nuances psicológicas.

Para o leitor de hoje, muitas das paisagens descritas por Verne podem parecer exageradas ou pouco condizentes com a realidade. Mas vale lembrar que o livro é do século XIX, quando ainda existiam terras por explorar, locais onde o europeu burguês do período acreditava viverem todo tipo de gente exótica. O que fugia do padrão europeu e cristão do período era exótico, estranho e bárbaro. Do Pacífico ao Oceano Índico, do mediterrâneo aos mares polares, do atlântico às profundezas abissais. É uma viagem surpreendente, e em menos de 10 meses os personagens parecem revelar todos os tesouros e segredos que as águas podem ocultar. Desde a descoberta de Atlântida à aparição de uma figura que se assemelha ao Kraken ou à uma lula gigante muito antes de sequer imaginarem que elas existiam, a imaginação de Verne é surpreendente, e como uma das grandes obras que venho lendo nesse ano descubro cada vez mais o motivo desses escritores serem tão consagrados. Recomendadíssimo! Mas não escondo que há a necessidade de interessar-se muito pelos oceanos e seus mistérios para apreciar a leitura, caso o contrário, tenha em mente que as paradas em terra se limitam à dois ou três capítulos, de forma que todo o resto passe por longas análises e descrições das águas bravias e os fenômenos que a circundam dentro do fabuloso Náutilo. É uma leitura agradável,  à medida que ela progride você passa a sentir-se na mesma situação dos personagens, embora a curiosidade e os mistérios que rondam o Náutilo o prenda até as páginas finais que completarão as 20.000 léguas.


Podemos enfrentar as leis humanas,
mas não podemos resistir às leis naturais” — Júlio Verne.

Doodle do Google, em homenagem à Júlio Verne

Sinopse: O mistério que sempre envolveu o mar e o desafio que as profundezas marítimas exerceram em todas as épocas sobre os homens, desejosos de as conquistar, são temas eternos que alimentam a imaginação mítica de todas as gerações.  A história se dá quando jornais de todo o planeta começam a alardear a aparição de uma gigantesca criatura submarina que vêm naufragando as maiores embarcações de vários países, uma comitiva é formada em busca do perigoso "cetáceo", e dentre os tripulantes estão o professor Aronnax, um entusiasmado naturalista; seu companheiro e fiel amigo, Conselho, um habilidoso classificador de espécimes; e o arpoador Ned Land. Aronnax, Conselho e Ned vão parar dentro do submarino por acaso. Após um naufrágio, eles são salvos pelo capitão Nemo, mas o preço é alto, uma vez a bordo da estranha embarcação, jamais poderão sair de lá novamente. São prisioneiros, mas tratados como hóspedes, e junto com o capitão Nemo e sua tripulação, viverão aventuras incríveis no fundo do mar e na costa de países exóticos, onde o submarino faz paradas ocasionais. Uma leitura apaixonante de um dos maiores mestres de antecipação científica.

 
Escritor: Júlio Verne;
Título Original: Vingt mille lieues sous les ;
País: França;
Gênero: Ficção Científica, Aventura;
Lançamento: 1869;
Editora: Martin Claret, Série Ouro;
Tradução: José Gonçalves Vilanova;
Páginas: 398 páginas.
Rota percorrida pelo Náutilo, no oceano Atlântico e Pacífico, respectivamente.

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  1. Ah bem que voce mencionou que estava lendo esse livro.
    Eu tenho esse livro em uma outra versão bem resuimida, não deve ter 200 paginas, ganhei quando era criança numa coleçãozinha de livros que custumava ganhar mensalmenet por minha madrinha.Não vu mentir, eu nunca li porque logo que ganhei meu irmão menor rasgou algumas paginas e ai perdi a vontade.
    Fiquei bem surpreso por esse livro ter mais 100 anos se eu soubesse disso tinha guardado no cofre, assim como está o meu de Joaquim Nabuco, O Abolicionismo.
    Parece que esse Verne é fera, vou tentar encontra esse livro, que saber sobre esse mundo que traz em sue livro.

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  2. cara Julio Verne escreve os melhores livros de todo!e eu aconselho a vocês a leram o livro dele viagem ao centro da terra é muito massa!mais é sempre bom saber cada vez mais de cada autor então eu vou ficando aqui até mais

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  3. Hei Canas,
    Vim marcar presença aqui no blog,essa semana eu passei no hospital, tive alguns probleminhas, mas logo que sai vi suas postagens e não pude ficar quieto!
    Este livro(20.000 Léguas Submarinas) jazia na pratilheira da minha irmã, uma fascinada por obras escritas, e que eu já me aventurei em seu submerso. A história nos leva a uma imaginação incrível, de algo que, mesmo atualmente não pode ser vislumbrado por todos.
    A forma como o enredo se desenrola, e principalmente o fato de a narração ser atribuída a uma espécie de diário de bordo, torna a história fascinante como se fossemos mais um tripulante e compartilhássemos a vislumbrança do universo submarino. Verne é um grande idealizador, e como qualquer cientista sonhava aventurar-se no obscuro do mar profundo, escondido da visão humana.
    Devo lembrar que me interesso muito em mapas e descobertas, lendas e aventuras com presenças impossíveis, porém nunca inimagináveis. Pondero seriamente em seguir a carreira de cartógrafo, talvez dando brechas para estudos científicos e pontas de redações sobre meus projetos.
    No geral, o livro demonstra a imaginação dos Eurocêntricos sobre os mares que os banhavam, destinados a serem conquistados por estes. O autor dá um lado científico a obra de como eram grandes as descobertas feitas naquele,mas sem tirar a sensação de aventura, do místico, tenebroso e misterioso mundo não conhecido por nós.

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  4. Eu adoro esse livro, e li por acaso, quando era menor e.e eu achei comum estarem num submarino, até aprender na escola que ainda eles não existiam! fiquei surpreso qnd aprendi mais sobre ele, mas infelizmente não achei mais o livro (não era meu) para relembrar :(
    vc devia continuar postando resenhas, elas são mt boas :D e eu recomendo as crônicas de nárnia para vc ler, os últimos livros são mt épicos
    abraços o/

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