Archive for July 2013

CDs da Sinnoh Soundtrack

Diga ae, galera. Eu gostaria de estar compartilhando com vocês um projeto meu bem antigo, e que apenas nesses últimos dias de férias eu consegui colocar em prática. Pela primeira vez consegui finalizar um CD de áudio de nossas Soundtracks, tanto o volume 1 quanto o 2, que trazem a Wiki e Mozilla na capa principal. Ainda penso se vale investir no Volume 3 contendo algumas músicas adicionais e os temas dos personagens que faltaram como o Tom Sawyer ou a Grande Criação. De qualquer maneira, só de ouvir Titanium dessa maneira me traz uma sensação completamente diferente!

Na imagem acima vocês conferem o resultado. Ficou uma belezinha por fora, e as músicas rodam perfeitamente no CD Player. Minha ideia inclusive era desenhar a Wiki manualmente na parte de dentro, assinar e escrever uma espécie de dedicatória, e depois fazer o CD no formato de uma pokébola ou o símbolo de Sinnoh, ficará show de bola quando finalizado 100%! Só que dá um trabalhão... Mas enfim, aqui deixo apenas essa imagem como uma curiosidade a ser compartilhada, mas este é apenas um teste, ainda não investi nele de maneira que fique perfeito. Ainda pretendo fazer marcadores de página e também uma impressão de cada uma das temporadas de Sinnoh em formato de livro, só para deixar guardado como memória para as futuras gerações... Vai que qualquer dia desses eu acabo sorteando também, hm?

O Diário de Dawn (Página 10 - Final)


Eu acabaria por transcrever as palavras daqui exatamente como aquelas que foram ditas no diário da Dawn, muitas vezes eu o utilizei para trocar uma ideia com o leitor sem que vocês percebessem. Este foi o meu primeiro especial, o primeiro de todos a ser criado no Aventuras em Sinnoh, e conforme o tempo foi passando percebi como é bom ver cada ponto se conectando, cada linha tendo seu ponto final. Foi aqui onde percebi que eu precisava investir nas ideias, dando certo ou errado, e sempre tentar algo novo.

Não gosto de deixar minhas coisas interminadas,  dessa vez não vou seguir com essa ideia de ir alimentando a imaginação do leitor quando eu quero que algo jamais tenha um fim, então, hoje, termino aqui a última página do Diário de Dawn. Não o terminei por estarmos chegando perto do fim da fanfiction, e nem porque eu estava sem ideias para continuar seguindo com ele. Estou terminando este diário porque hoje percebo que eu já tinha um diário, e este diário é o blog. Tudo que eu venho construindo aqui é precisamente como as fotos devem ser, formadoras de sentido, e é com Sinnoh que eu espero que vocês ainda possam voltar e dar uma espiada em minha vida, naquilo que escrevo. Tudo isso é pelo menos um pouquinho do que sou, de minha existência.

E com toda certeza vocês ainda encontrarão muitas outras páginas minhas perdidas por aí...
E aí? Já começou a escrever o diário da sua vida ou já tem um guardada há um tempão? Não espere o tempo te alcançar e te impossibilitar de agir, não fique remoendo-se ao não lembrar-se de tudo aquilo que fez, das coisas boas e melhores ainda. Apague os erros e guarde apenas o melhor. Quero olhar para trás e sorrir para isso tudo, e certamente irei.


Shipping - Chaud x Glaciallis

Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!

13. Chaud x Glaciallis

Chaud: Refiro-me à senhorita Glaciallis como um ente querido, ela é praticamente a esposa do homem que mais respeito, e sei que recebe todo cuidado e caprichos que uma mulher deseja e merece ter. Quando ingressei na Fire Tales ela era uma das poucas que compartilhava comigo e capacidade de compreender a escrita dos humanos, e garanto que nunca mais esquecerei aquela noite. Nós dois temos muito em comum. Vivemos em épocas completamente diferentes da nossa, e acredito que por este motivo compartilhemos desse interesse mútuo por alguém que nos entenda. Certa vez a senhorita Glaciallis perguntou-me se ainda existe esperança mesmo para quem a perdeu... Até hoje não sei ao certo o motivo daquela pergunta, mas garanto que muitas vezes ela é quem me motivou a continuar seguindo em frente.

Glaciallis: E-Eu gostava do Chaud... Gostava mesmo. Creio que foi maldade de minha parte ficar com um homem quando em meu coração eu ainda sentia que poderia amar outro... E sinto que não foi a primeira vez. Meu coração vive caótico, desalinhado e desconexo. Em noites escuras e solitárias, quando paro e penso em tudo que fiz em vida, pergunto-me se fui uma mulher horrível para as pessoas à minha volta... Tenho medo de que mesmo após a morte isso não tenha mudado em nada. Sinceramente, já cheguei a imaginar se eu seria digna de receber uma segunda chance, e muitas vezes senti que eu realmente não tinha esperança. Não sei o que me move. Eu realmente não sei. Estou presa nesta forma de fantasma por algum motivo que ainda vou descobrir, só espero que quando a hora chegar não seja tarde demais...

Shipping - Isaac x Milady

Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!

12. Isaac x Milady
Milady: Isaac, você já terminou de preparar o meu café da manhã? Quero ver essa louça brilhando, e meus pés precisam de uma massagem antes que eu possa sair da cama e ir para a banheira, onde você está??. Minha pele dourada necessita de um banho de leite com pétalas de rosa, quero a temperatura agradável, nem muito quente e nem muito frio, entendido?

Isaac: É claro, minha querida. Seu café acaba de ser servido, e trago aqui seus pratos e frutas prediletas para que tenha uma boa dieta alimentar que faça bem à sua pele e deixe seus cabelos mais macios e sedosos. Acabo de preparar a banheira, a temperatura está agradável, e seu par de pantufas preferida está logo ao lado da cama para que você não machuque seus lindos pés enquanto caminha até o banheiro. Já levei a Eva para estudar e limpei o salão para que tudo fique brilhando. Seu chá será servido logo após o banho. Algo a mais?

Milady: Hm... Bom. Muito bom. Por incrível que pareça, estou achando que não tenho mais nenhuma ordem para te dar hoje cedo... Maldição, dentro de alguns minutos eu encontrarei outra... Ah, lembrei! Esqueci de ordenar que você faça uma coisa.

Isaac: E o que seria, minha rainha?

Milady: Entre na banheira. Agora.

Kanto e o Aipom de Coroa

Por um longo tempo tivemos esta região tão nostálgica em conflito com seus autores, tanto que costumo brincar ao dizer que Kanto é a garota mais independente, problemática e difícil de se lidar na equipe de regiões, ninguém que veio antes conseguiu dominá-la até agora! Ela derrubou alguns velhos e experientes amigos meus, e o Shadow também está aí para confirmar que não é nada fácil lidar com ela.

Nos últimos longos meses estive observando os leitores como sempre fiz, vendo as carinhas antigas e as novas que apareciam, aquelas que sempre despertaram a minha atenção. Por ser a primeira região, todos nós queríamos alguém que entrasse aqui com o compromisso de sempre dar o seu melhor, sem preguiça, sem falhar com as pontualidades, trazer novidades, encontrar soluções, ter ideias inovadoras. O tempo passou, e acho que eu aprendi que nunca encontrarei essa pessoa. Não quero escritores perfeitinhos que venham dizer que vão postar seus capítulos toda a semana como uma obrigação, quero amigos. Amigos com quem eu possa compartilhar os momentos bons e ruins.

Nós da Aliança Aventuras não estamos aqui procurando gente formada em letras que venham dando aulas sobre gramática e pontualidade. Procuro amigos, sempre procurei. Pessoas com quem eu possa compartilhar ideias, que possa ensinar e ser ensinado. Uma de nossas marcas sempre foi essa aproximação de cada integrante, o que faz a equipe tornar-se, por assim dizer, uma casa. Cada um tem seu quarto, cada irmão pode vir a se dar melhor com um do que com outro, e mesmo com todas essas encrencas, ainda são uma família que vivem debaixo do mesmo teto.

Se o Léo já não era dessa família, então ele devia ser uma espécie de primo, porque todo dia estava nos visitando, rs. O escritor do Aventuras em Kanto, de fato, é um velho conhecido. Sabe aquele Aipom de Coroa que costumava aparecer perdido por aí? Isso é praticamente a marca dele, alguns podem nem sequer conhecer o nome, mas sabiam muito bem quem era o Aipom de Coroa, e é disso que quero falar. De uma marca, uma identidade. Uma reputação que veio sendo construída desde os primórdios, até que a hora certa aparecesse. Para falar a verdade, não fizemos votações e nem competições para escolher quem seria esse tão aguardado escritor. Muita gente veio me perguntar se haviam vagas, e eu respondia que não. Eu queria observar, ver como agiam comigo não procurando uma vaga como se eu tivesse um pote de ouro, e sim, um conselho ou uma boa conversa. Sem nem perguntar um motivo certo, o Léo me enviou um capítulo para um futuro projeto dele. Acabou que este projeto foi selecionado não porque ele queria a vaga, não porque sonhou em entrar na Aliança, e sim, porque era um velho amigo procurando oportunidades. Não foi uma troca de favores, todos os membros da equipe aprovaram sua entrada quando abrimos essa opção. E o resultado está aqui, acessando a região que inicia a nossa linha cronológica na Aliança Aventuras.

Eu também estava bem ansioso para iniciar isso tudo, mas acho melhor deixar que o Léo fale e se apresente, ou meu texto pode acabar ultrapassando o que deveria ser uma simples divulgação. Vocês conferem em Kanto uma escrita que já vimos muitas, muitas vezes. É a sensação do velho com o novo que eu sempre procurava. Da nostalgia dessa região, com uma pitada de algo surpreendente que possa inovar. Sei que o Léo terá que lutar contra monstros poderosos no caminho, como a preguiça, os vestibulares ou a falta de inspiração, mas estou disposto a apostar nele e ver se no fim das contas é um Aipom de Coroa quem irá controlar a fúria de uma mulher decidida e ambiciosa como Kanto. Será preciso muita, muita persistência cara. Mas nada que sua família não possa resolver com um empurrãozinho necessário. Está aí a chave do quarto. Seja bem vindo, parceiro.

ACESSE O AVENTURAS EM KANTO AGORA!


Notas do Autor (Capítulo 81)

Todos os capítulos do 80 em diante trazem algo que nos fará parar, pensar e refletir. Ou então vai nos emocionar, agitar e empolgar-se! É uma dezena que faço questão de tornar incrível. Cara, estamos há tempos nessa jornada, e olhando para trás ainda lembro de cada cena...

Quando eu disse ruiva em um comentário já foi o suficiente para que vocês lembrassem de uma personagem especial, não? Qual a importância de tudo que rolou nesse episódio? Antes de mais nada, é a última vez que veremos a Vivian e o Stanley juntos dos protagonistas, rindo e se divertindo como na época da Saga Pérola. Pode-se dizer que esta foi a despedida deles. Daqui para frente só os veremos na Liga e no Grande Festival, mas aí como os verdadeiros Antagonistas que eles nasceram para ser. Acho isso engraçado nas fanfictions de Pokémon, porque no fim das contas todo mundo torna-se um oponente. Eu cultivei esse carinho por rivais numa época que todo ficwriter só os fazia batalhar, batalhar e batalhar. Eram briguinhas e confrontos toscos como nos jogos e no anime, e aqui em Sinnoh eu senti desde o começo que eles não seriam rivais, e sim, amigos. Foi exatamente como uma amizade. Gente que não se conhecia, personagens que não tinham nada haver um com o outro. Eles foram se conhecendo, criando intimidade, era como se tivessem vida própria, até terminarem unidos por uma amizade que me dá inveja. Nesses momentos pergunto-me até onde a essência de um personagem pode chegar...

A amizade sempre foi um de meus temas favoritos. Peço desculpas aos que queriam ver a Vivian lutar contra a Paula e causar o fim do mundo, mas sério, não fui eu que tomei essa decisão. Como acabei de dizer, chega uma hora que seus personagens começam a tomar vida própria e a Vivian me perguntou certa vez: Por que eu tenho que ter raiva dela? O que ela fez para mim? Quando penso que cresci, acabo por me lembrar que os personagens também. Obviamente não vai rolar aquela apreciação, mas... Acho que elas se aguentam. Por um tempo. De indireta em indireta elas vão seguindo com essa briguinha como garotas mesmo. Acho que a convivência com o Lukas têm tornado a mente da Paula mais jovem, e por viver com o Stanley, a Vivian também ficou um pouquinho mais calma. Homens fazem esse efeito nas mulheres, assim como vocês fazem na gente.

O Capítulo 81 é repleto de encantos por dois simples motivos: As férias estão terminando, então não saia por ai reclamando que passou ela toda na frente do computador. Se achar que ainda dá tempo de ver seus amigos, corra, porque juro que quanto mais o tempo passa, mais a gente aprende a valorizar isso, esses pequenos momentos. Até mesmo conversas pelo Facebook. Não é a distância que tira o carinho e o encanto por elas. Cultive seus amigos, aproveite cada instante. As férias estão terminando, e a viagem continua. Este foi o último episódio do mês de Julho, e mesmo com esse friozinho gostoso quero que cada um de vocês olhe para o retorno da rotina com a sensação de fez tudo que queria! E se não fez, ainda dá pra tentar. (Vou ter que aprender a reutilizar o lápis para escrever quando as aulas voltarem kk)

E tem mais, estamos a um passo de Sunyshore! Semana que vem já entramos com o melhor capítulo da Saga Platina até o momento, acreditem. Um que será capaz de peitar o Ginásio de Canalave ou até a despedida da Titânia. Estou produzindo muito nesses últimos dias, e agradeço todo o apoio que vocês me deram. Espero vê-los comentando por aqui mais vezes. Deixo aqui mais uma despedida, e mais um passo em direção do final. Não sei se isso faz meu coração doer ou sentir-se aliviado, cada semana é como uma vitória a mais. Ainda temos muito a percorrer...

Capítulo 81

Soundtrack to My Life


— Vou sentir falta daqui...
Luke, Lukas e Dawn estavam lado a lado, cada um deles encarava os altos prédios da cidade que por muito tempo os acolheu como um verdadeiro lar. Lembranças do Hotel Deluxe Heart, da reunião com os Elites, da batalha contra os Rockets, de seu encontro com Cynthia, das competições e das lutas travadas...
Tudo aquilo seria armazenado na memória dos jovens que tratavam aquela despedida como a perda de um verdadeiro amigo que ficava para trás, mas ainda os acompanharia para sempre em seus corações. Hearthome fora sem sombra de dúvidas o local agraciado pela melhor visita de suas vidas, e eles sabiam que não voltariam para lá tão cedo.
— Se Hearthome fosse uma mulher, eu teria dado um beijo nela — disse Luke com uma risada, fazendo Dawn dar-lhe um empurrão.
— Agora começou com essa mania de dar vida para tudo? Pra você tudo quanto é coisa tem vida agora! Só falta você imaginar que Hearthome seria uma moça alta, peituda e de um imeeenso coração! Vai criar a personalidade dela também?
— Poxa, vocês não sabem brincar mesmo, hein... — respondeu Luke, terminando de arrumar sua mala e ajeitando a mochila nas costas. — Vamos nessa, galera. Temos um longo caminho a percorrer até Sunyshore.
Os três deixaram o portão da cidade, mas teimavam em olhar para trás com o sentimento de que a cidade acenava para eles e sorria de maneira angelical, desejando que pudesse vê-los o quanto antes, e acima de tudo, que jamais esquecessem os dias passados sob seus cuidados.
Eles tomariam um caminho já percorrido. Passariam pela Rota 209 mais uma vez, seguiriam por Solaceon até Veilstone, e de lá alcançariam o Hotel Grand Lake na Rota 213, passando pelo Valor Lakefront em direção da Rota 222, a última estrada antes de Sunyshore. A partir daquele ponto os Irmãos Wallers já estariam em território conhecido. Haviam morado grande parte de sua infância naquela cidade, os arredores eram repletos de lembranças e traziam consigo a ansiedade de vê-los mais uma vez.
Logo na saída para a Rota 209, Dawn surpreendeu-se ao notar que Cynthia os aguardava de malas prontas. A ex-campeã estava repleta de bagagens e parecia preparar-se para sair de férias durante muito tempo. Quando avistou a garota, ela correu em sua direção como se somente a aguardasse.
 — Ei, Dawn! Eu estava te esperando. Fiz o possível para vir despedir-me antes que vocês deixassem a cidade.
Luke lançou um olhar primeiro para as malas arrumadas da ex-campeã, e depois para o sorriso que sempre se formava no rosto de Dawn quando elas se encontravam. Naquela longa semana na cidade, Luke viu sua garota estar mais feliz do que nunca.
— Você pretende ir com a gente? — perguntou Dawn.
— Infelizmente, não. Daqui para frente voltarei a trilhar meu caminho, e quero deixar com que vocês descubram todas as surpresas que uma aventura pode proporcionar.
A ex-campeã voltou-se para Luke e sorriu, ajeitando a boina na cabeça do menino.
— E você, jovem Lukas.
— Luke. — Corrigiu ele.
Cynthia riu, pois sempre confundia os dois.
— Você é quem vai competir pela última insígnia, não? O Volkner é um líder de ginásio formidável, mas acredito em seu potencial para derrotá-lo. Teríamos tido uma luta incrível se eu ainda detivesse o posto, mas não estou. Espero que possamos batalhar algum dia.
— Nós iremos, quem sabe — Luke sorriu em resposta.
— Sigam seus sonhos, crianças. Eu já realizei o mais importante dos meus, mas nunca devemos parar de procurar por novos! Suba lá e torne-se o campeão. Vá lá e seja o melhor coordenador do mundo. Siga em frente e, simplesmente, viva.
Cynthia voltou a carregar suas malas, pedindo que um grande Gastrodon e sua Roserade a ajudasse na viagem. A loira deu um beijo no rosto de cada um antes de distanciar-se e acenar com carinho.
— Ainda nos veremos antes do fim.
E seguiu de volta para a cidade antes que seu voo se atrasasse.
Luke olhou para Dawn que tinha uma feição apaixonada. Há tempos ela tinha aquela expressão estampada, na realidade era desde que eles haviam chegado à Hearthome e encontrado Cynthia. Agora que a loira ia embora, parecia que um pedaço da equipe havia partido.
— Você gostava dela?
Dawn virou-se para Luke ao ouvir aquilo.
— O que disse?
— Você sabe... A Cynthia. Tipo, você gostava muito dela, no sentido de gostar, gostar mesmo, entende? — Luke enfiou as mãos no bolso e olhou ao redor. — Por que você não vai com ela?
A menina arregalou os olhos.
— O que você está dizendo?
— Bem, você sempre quis tornar-se pesquisadora, e a Cynthia é provavelmente a melhor de Sinnoh. Ela te ensinou coisas novas, em uma semana ela tornou sua vida mais produtiva do que todo esse tempo desde que nos conhecemos! Vocês duas se dariam muito bem viajando juntas...
Dawn olhou para a sombra de Cynthia que já se distanciava no horizonte.
— Sabe, isso teria sido muito legal, mas... Eu comecei essa jornada com vocês, quero terminá-la com vocês — disse a garota, segurando na mão do rapaz e dando-lhe um selinho no rosto. — Só não me diga que você estava com ciúmes?
— Eu? Com ciúmes de uma mulher? Tu tá doida?! Só porque a Cynthia é linda, tem tudo que sempre quis, exala bondade e bom humor, também tem um Garchomp, e ama o que faz acima de tudo? Psshhtt... Nada a ver. Nada a ver. — Luke remexeu-se com uma risada exagerada, pegando suas coisas e voltando a caminhar.
Quando Lukas passava ao seu lado, seu irmão não hesitou em perguntar:
— Psiu, não conta pra Dawn cara, mas... Me responde uma coisa... Acha que eu sou um bom partido?
— Isso é a mesma coisa que perguntar se eu escolheria você ou a Cynthia — Lukas respondeu com um sorriso meigo, abaixando a boina de Luke e deixando-o sem ver por onde andava. — Deixa de ciúmes e cuida logo da namorada linda que você tem. Ela te adora. E eu também, irmão.

A partir daquele ponto, o caminho não teria mais volta.
Era uma jornada longa e cansativa de cinco dias até o outro lado da região, seguindo um ritmo tranquilo e sem pressa. Os irmãos Wallers estariam fazendo de volta uma rota já percorrida, e cada ponto marcado despertava a nostalgia intensa em seus corações de que tudo aquilo havia passado. Agora restava apenas a reta final, o sentimento de um dever cumprido que aproximava-se cada vez mais.
Eles estavam exaustos. Não fisicamente, mas psicologicamente. Sair na aventura de suas vidas era o maior sonho de qualquer criança, mas isso sempre requereu muito de sua potência. Eles precisavam esforçar-se para conseguir o que mais queriam, precisavam deixar de lado as mordomias e o conforto para ir atrás daquilo que mais desejavam.
Era uma exaustão do sacrifício, de algo que valera à pena. Voltar para Sunyshore seria como regressar à casa após tantos anos. Mesmo que não morassem mais em sua cidade natal, ela ainda lhe trazia lembranças de quando os jovens ficavam a encarar o céu noturno por muito tempo, sem problema algum para preocupar-se. Era com pesar que as estrelas estavam todas ocultadas por nuvens espessas que anunciariam a chegada de uma frente fria nos próximos dias, mas nem isso poderia diminuir o ânimo dos viajantes.
— O que pretende fazer quando chegar em Sunyshore? — perguntou Lukas, deitado na grama encarando o céu nublado enquanto seu irmão se escondia em seu saco de dormir e refletia profundamente sobre aquilo.
— Para ser sincero, eu não sei. Não quero desafiar o Volkner...
Lukas sentou-se para encará-lo mais de perto, sentindo o conforto e o cheiro tão característico de seu irmão, impregnado nos cobertores envelhecidos. O moreno perguntou:
— Por quê? Você está com medo de enfrentá-lo?
— Não é isso... — Luke suspirou, notando que não havia maldade na voz do irmão, apenas preocupação. — Tenho medo é de saber como será minha vida depois disso tudo. Depois da oitava insígnia, depois da Liga, depois de ser campeão...
— Isso está meio longe para pensar agora, não? — indagou Lukas. — E você não viu como a Cynthia está feliz? Ela percorreu exatamente o mesmo caminho que você, e depois de tanto tempo continua sonhando!
— Ela é uma verdadeira fonte de inspiração... — comentou Luke. — Mas cada ser humano possui uma vida diferente, uma maneira diferente de traçá-la... Cara, pra falar a verdade... Eu não queria terminar...
Lukas soltou um suspiro e voltou a deitar-se, encarando o céu escuro iluminado apenas pelas brasas da fogueira do lado de fora. Ele aninhou-se em seu cobertor, e mesmo não tendo uma resposta encorajadora, sabia que precisava fazer com que seu irmão encarasse o que haveria dali em diante.
— É como pensar no sentido da vida. Qual o sentido disso tudo, se no fim vamos todos morrer?
— Já refleti sobre coisas assim... E quanto mais penso, mais revoltado e confuso eu fico — respondeu Luke um pouco incomodado, virando-se para seu lado e fechando os olhos. — Deixa esse assunto de lado... Boa noite, Lukas.
— Luke — ele chamou uma última vez. — Faça com que tudo isso valha a pena. Um dia todos nós teremos de encarar o fim, mas não quer dizer que o fim seja necessariamente o “fim”. A vida continua, sabe aonde? Na memória das pessoas, irmão. Nas lembranças delas. Nós seremos lembrados.
Lukas ajeitou-se em sua cama, e por fim fechou os olhos para também tentar adormecer.
— Nós seremos lembrados...

A equipe já se aproximava do Valor Lakefront após cinco dias de viagem exaustiva. Eles não haviam feito paradas para compras ou rever velhos amigos. Tinham um objetivo, e só parariam quando Sunyshore chegasse. Enfrentaram treinadores que ficavam cada vez mais poderosos devido à Liga Pokémon que chegaria no fim do ano. Os desafios aumentavam, e cada vez mais eles precisavam preparar-se para tudo que estava por vir.
A Rota 222 estava logo a sua frente, um caminho lindo que seguia pela costa acompanhado de palmeiras e uma belíssima visão do mar. A partir dali os jovens estariam entrando em território da cidade mais almejada e ensolarada de Sinnoh. Sunyshore era uma referência com suas luzes e o clima sempre belo que predominava o ano inteiro.
Mas justamente aquela semana estava, estranhamente, muito mais gelada. Parecia que uma tempestade de aproximava, e o tempo ruim não estava disposto a ir embora tão cedo.


— Essa maldita cidade faz sol o ano inteiro, as noites são abafadas e as manhãs insuportáveis. Quando saímos da escola íamos direto dar um pulo na piscina. E hoje, quando estou me preparando para a batalha da minha vida, Arceus decide mandar um dilúvio de novo!! Culpa de Tornadus e Thundurus que devem estar querendo descontar na gente!! — Luke praguejava em vão.
— Eu adoraria ter visto essas praias cheias e movimentas, mas o mar também está meio turbulento... Fica para a próxima, Luke — dizia Dawn na tentativa de acalmá-lo.
Os jovens agora caminhavam bem próximos, cada qual com seu devido guarda chuva a ocultar-lhe a face. Era uma daquelas chuvinhas fracas que não molham, mas te obrigam a proteger-se. Eles esperavam encontrar algum abrigo em pousadas da costa, pois as palmeiras balançavam com força e anunciavam a chegada de uma tempestade ainda mais forte nas próximas horas.
Enquanto andavam, puderam notar que um casal caminhava junto, de mãos dadas, seguindo a passos curtos e lentos na praia. Eles pareciam não ligar para a chuva e nem para quem os observava, pois estavam juntinhos observando o mar, sentindo algumas gotas frias passarem sua barreira e tocar-lhe o corpo quente em contato com o parceiro amado.
Quando Lukas os viu, ficou encarando-os de longe por um tempo.
— Algumas pessoas não precisam ter um dia belo e ensolarado para serem felizes, não? — disse Dawn com um sorriso ao seu lado.
— Sim... Eu queria ter todos os meus amigos aqui por perto para clarear o meu dia também. Este seria o maior desejo.
Os três rumaram a uma pousada na beira da praia. No momento estava vazia e sem movimento, até porque eles estavam fora da temporada de turistas e o mal tempo havia feito questão de espantar o restante deles. Luke alugou um quarto pequeno com o dinheiro que tinham, e como nos velhos tempos ele parecia não importar-se de dormir no sofá contanto que Dawn tivesse uma boa noite de sono.
— Por que não dormimos juntos na cama? Ela é de casal, eu não iria ocupá-la inteira — dizia a moça com um ar sedutor, tocando seu indicador levemente sobre o peito do rapaz.
— Qual é, Dawn... Meu irmão está junto, ia ficar um clima meio estranho. Nós não vemos a Paula dando uns amassos nele, e nem espero ver.
— Tudo bem, tudo bem... Mas se começar a trovejar eu irei colocar vocês dois juntos comigo. Sempre tive esse medo de trovões e barulho alto...
Após guardarem suas bagagens e verem como era o quarto, os jovens seguiram até o pequeno salão de entrada decorado com uma madeira típica da costa e com lampiões de querosene brilhando fracos na varanda.
Luke e Lukas estavam sentados do lado de fora, ouvindo os pingos de chuva e observando as ondas irem e virem na areia pertinho da praia. Foi então que aquele mesmo casal do guarda chuva aproximou-se, eles estavam escondidos debaixo das asas do equipamento, e quando alcançaram a pousada, Lukas fixou seu olhar nos dois.
Quando o guarda chuva foi fechado, o rapaz revelou um sorriso que mal cabia em seu rosto.
— Vivian? Stanley?
A ruiva tinha o cabelo encharcado e as botas amarelas molhadas. Estava de mãos dadas com um loiro ao seu lado, mas ao ter aquela agradável surpresa os dois imediatamente se soltaram. Era impossível dizer se ela chorava, ou o dia chuvoso havia deixado seu rosto úmido e encoberto por lágrimas de felicidade.
— L-Lucky? Dawn? M-Meu Lukinhas?!
Vivian deu um salto, pulando diretamente na cadeira de balanço que seus amigos estavam sentados ao ponto de derrubá-la. Sua voz alta era a única ouvida por todos os arredores da pousada, e Stanley ainda estava surpreso com aquele encontro tão oportuno.
Vivian segurava no rosto de Lukas com carinho e ternura. Ela o apertava como se tivesse medo de deixá-lo escapar, e sua voz rouca não conseguia esconder a felicidade sentida.
— M-Meu Arceus, são vocês mesmo! São vocês! Eu estive com tanta, tanta, tanta saudade, é impossível medi-la!! Eu nem sabia que vocês estavam vindo para Sunyshore!! Que dia horrível para encontrar-se, mas que momento maravilhoso para ver vocês todos do nosso lado mais uma vez!!!
— Vivian, você está linda, parece que seu cabelo foi tingido com o brilho do sol — elogiou Lukas, abraçando a amiga como se não houvesse amanhã. — Meu desejo foi realizado... Obrigado.
Os cinco logo entraram na pousada, deixando lá fora o frio e os guarda chuvas molhados. Seguiram direto para o quarto alugado onde poderiam finalmente conversar e falar mais sobre tudo que acontecera. Eram eles, Vivian Chevalier e Stanley Tycoon, os rivais mais antigos e adorados pelos Irmãos Wallers, e também seus melhores amigos.


Stanley sentou-se em uma poltrona como um velho que precisa de descanso, enquanto Vivian pulava de um lado para o outro na pequena cômoda que mal parecia suportar cinco adolescentes agitados lá dentro. A ruiva foi se esgueirando atrás do loiro até agarrá-lo por trás, não contendo a felicidade e o ânimo em encontrar seus amigos mais uma vez.
— Stan, Stan, Stan!! Não estou conseguindo acreditar, estou tãooooo feliz!
— Isso foi bem inesperado mesmo. Há quanto tempo não nos víamos? Acho que foi em Pastoria a última vez, e ainda nos dispersamos com aquele clima tenso após a batalha de ginásio... — o loiro tentava relembrar os momentos quando Luke sorriu e acenou.
— Ihh, cara, passado, passado. Vamos deixar tudo isso de lado e aproveitar as coisas boas que chegaram agora! Era de vocês que precisávamos para alegrar o nosso dia cinza e chuvoso.
Vivian deu um pulo na direção de Dawn que estava sentada sobre a cama.
— Menina, seu cabelo cresceu!! Ficou lindo! Eu deixei o meu mais curtinho e dei uma repicada, curtiu?!
— Adorei, Vivi! E você também está mais alta, encorpada, e... com peitões! O que você fez para deixá-los desse tamanho? E essas coxas?? O Stan está te fazendo correr muito atrás dele?— brincava Dawn ao fazer cócegas na amiga.
— Hah, hah, hah... Esse aqui? Ihh, eu é que sou o homem da relação! Ele não se mexe para nada. É tipo um pseudo-príncipe encantado, mas por enquanto dá pro gasto! Loiro, de olhos cor de mel, atencioso e carinhoso... Fala se não é descrição de um príncipe? Aí chega na hora e a gente se depara com esse bicho feio, magricela e cara de bobo.
Stanley e Vivian trocaram olhares raivosos por um instante, antes que a moça disparasse em sua direção e o enforcasse com o braço fazendo-o perder o fôlego.
— Tô brincando, meu Tamagotchi desengonçado!
— Ruiva, sua maneira de demonstrar carinho é contagiante — dizia Stanley, que apesar de ter um olhar enfurecido não escondia que estava adorando aquilo.
Lukas ajeitou-se em sua poltrona ao perguntar:
— Vocês estão namorando...?
A resposta veio antes do que ele esperava.
— NÃO!! Não, não, não, nunca, jamais!! — Vivian negava com todas as forças. — Eu estive só me preparando para recebê-lo, meu querido, esse tempo todo eu estava ao seu aguardo, eu jamais iria traí-lo!!
— Mas eu lembro de ter visto vocês dois caminharem de mãos dadas na praia.
Vivian prendeu a respiração e ficou ali, sem ter o que dizer. Voltou a olhar para Stanley que tinha o olhar baixo, mordendo os lábios inferiores como se demonstrasse certa angústia. Vivian olhou para ele, e depois para Lukas, e depois voltou a encará-lo. Sentiu vontade de chorar de novo, mas agora sabia que não era mais por felicidade.
— L-Lukas-kun, me desculpe, eu... Não consegui te esperar.
— Então vocês estão namorando mesmo? Que arraso!! — disse Dawn empolgada, tentando cortar o clima. — Eu e o Luke também estamos, parece que todos nós estamos compromissados agora!
— É, mas eu acabo de negar que namoro na frente do meu próprio namorado — disse Vivian entristecida, voltando a encarar Stanley. — Me desculpa, loiru. Eu falei sem pensar... Sempre falo.
— Ah, tudo bem, eu... Já tô acostumado. — Stanley coçou a cabeça, demonstrando claramente que ainda estava constrangido.
O clima ficou tenso por alguns minutos até que Lukas perguntasse.
— Mas Vivian, notei que você não reparou que eu estava me aproximando. Quero dizer, lembra quando você costumava sentir o meu cheiro há centenas de quilômetros? O que houve dessa vez que eu passei quase do seu lado e você nem reparou?
— E-E-E-E-Eu não sei... Não sei o que está acontecendo comigo, não sei!!
Lukas sorriu em resposta.
— Eu sei. Você está amando.
Stanley ergueu seu olhar em direção do garoto, e Lukas continuou:
— Amando loucamente, apaixonadamente, perdidamente. A pessoa que você jamais imaginou ser capaz de sentir algo. É normal que dois viajantes que seguem viagem sozinhos sintam algo especial um pelo outro. A verdade é que você ainda consegue sentir e localizar uma pessoa mesmo há quilômetros de distância, mas agora essa pessoa está do seu lado! Você não sabe como fico feliz com essa notícia.
— Aí, Stan! Conseguiu domar essa guerreira!! Não vai deixar ela tomar conta da relação, hein?  — brincou Luke, dando um tapa na cabeça do rival.
Vivian e Stanley trocavam olhares, extremamente corados. Mais uma vez a ruiva falou:
— M-Mas Lukas-kun, e você? Eu sou sua companheira eterna, vi você crescer, eu te carreguei no colo, (apesar de termos a mesma idade) não posso suportar a ideia de que você está sozinho!!
Lukas revirou os olhos e sorriu:
— Eu não estou mais sozinho, Vivian.
Lukas segurou em seu colar que começou a brilhar com uma luz fraca. A chuva lá fora continuava, e foi muito de repente que uma mulher alta e de longos cabelos rosados entrou no quarto, já apertado pela quantidade de pessoas lá dentro.
Vivian e Paula trocaram olhares por segundos que pareceram durar horas. Luke sentiu seu coração palpitar, nem ele imaginava como seria o encontro daquelas duas. Esperava que um holocausto fosse iniciado, ou que talvez elas pulassem na lama do lado de fora socando a outra na cara e puxando o cabelo até que uma das duas simplesmente deixasse de existir.
Mas Paula apenas encarou a ruiva. Vivian estava sem saber o que dizer, e com uma conclusão oposta a tudo que teriam imaginado, Paula riu com a presença da garota e acenou com a cabeça:
— Você tem um sorriso lindo — disse a Guardiã do Espaço.
Estranhamente, aquele encontro havia sido muito diferente do que todos esperavam. Não houve bombas, não houve fogo, não houveram batalhas e muito menos gritarias exageradas para todos os lados, como era de costume.
Era impossível dizer se tratava-se de alguma espécie de magia negra, ou se Vivian estava enfeitiçada para não causar todo aquele alvoroço que sua reputação dizia. A ruiva olhou para o chão e depois ajeitou o cabelo atrás da orelha com uma risadinha oprimida.
— Obrigada. Seus cabelos também parecem pérolas! Dá pra contar onde você pinta? Não que eu queira mudar o meu, mas é sempre legal dar uma variada.
— É natural — Paula respondeu — Você é a Lendária Ruiva de quem tanto me falaram... Vou te dizer, eu esperava encontrar uma hidra de sete cabeças e dentes afiados pelo terror psicológico que fizeram em mim quando fosse vê-la pela primeira vez.
— Quem disse essas bruxarias?! — indagou Vivian, revoltada. — Foi você, Lucky-chan?? Comece a correr moleque, vou te mostrar que minha hidra já tem umas 100 cabeças para acabar com você!!

Passaram-se algumas horas, e pouco a pouco os jovens iam se soltando como nos velhos tempos em que eles, e apenas eles, seguiam suas jornadas em busca de seus sonhos. Era um clima manso e honesto, de pessoas que não queriam esconder seus segredos, completamente embriagadas pela amizade e com o desejo de apenas compartilhar um pouquinho de sua vida com quem lhe era importante. Eles estavam em uma das varandas cobertas da pousada, estavam apenas eles ali. Ficavam deitados sobre grandes sofás repletos de almofadas numa roda de modo que cada um fizesse parte daquele grupo, e ninguém ficasse excluído, nem mesmo Paula.


A chuva continuava fraca lá fora. Luke acendera um lampião, ajeitando os móveis para que todos pudessem sentar-se em um círculo e conversassem a noite toda. Lukas pediu para que a recepção trouxesse alguns frutos do mar para petiscos, e Stanley revelara algumas latinhas de refrigerante para que todos tirassem aquele gosto salgado da boca.
Estavam todos reunidos ali, melhores amigos, cada qual com seu devido parceiro. Tudo parecia tão diferente, mas ao mesmo tempo, novo. Pareciam velhos de meia idade com suas esposas que ao reencontrar os velhos amigos ficavam relembrados das desventuras que causavam na época da juventude, ainda que tudo aquilo fosse tão recente na memória deles. Sabiam que os dias já não eram como antes, mas não seria por isso que eles deixariam de se divertir. A noite estava apenas começando.
— Minha nossa, e vocês tinham de ter visto a cara da Dawn quando eu pulei da cachoeira da Rota 208! Naquele dia a gente encontrou vocês, mas alguns minutos antes a gente e beijou pela primeira vez — dizia Luke empolgado, abocanhando mais um salgadinho enquanto ria ao lembrar-se de tudo aquilo.
— E você fazia graça de mim por ter perdido o BV pela primeira vez com quinze anos — relembrou ela, dando um empurrão no namorado.
Vivian quase deu um salto da cama.
— Uow!! Só com quinze?!! Caramba, hein, Dawn! Quase que ficou para titia!!
— Não dê corda para ele, Vivi! Desculpa se não sou dessa geração de vocês que sai aí beijando qualquer pessoa antes mesmo de saber soletrar o próprio nome.
— Okay, okay, admito que a minha primeira vez foi bem esquisita. Eu beijei uma prima minha. É meio esquisito de falar, mas foi um acidente. Acabou rolando — disse Vivian, apontando uma lanterna para seu rosto como se fosse contar uma história de terror. Ela ficou em silêncio antes de gritar: — Parem de olhar para mim como se eu fosse uma alienígena!! Eu já disse que foi um acidente!
— Todos nós possuímos segredos — comentou Lukas, deitado no colo de sua companheira. — Gosto de ouvir o segredo dos outros quando eles estão dispostos a compartilhar. É como se eles depositassem confiança em nós a ponto de revelar qualquer coisa.
Vivian soltou um suspiro, e quando estava para dizer algo um forte raio surgiu, seguido de um trovão que abalou toda a estrutura da pousada. Dawn encolheu-se nos braços de Luke. A ruiva deu uma risada sinistra e pegou uma lanterna.
— E já que estamos falando sobre coisas embaraçosas, vamos fazer o jogo da verdade ou desafio. Está na hora de descobrir coisas horríveis a respeito de cada um de vocês! Mua, hah, hah, hah!!
— Nãooo, isso é pior do que história de terror! — lamentou Dawn.
— Sabem como se joga isso? — questionou Stanley.
— Você deve desafiar a pessoa a dizer uma verdade? — perguntou Paula, acariciando os cabelos macios de Lukas que estava deitado em seu colo. Ele explicou melhor.
— Tipo isso. O jogador tem de escolher entre dizer a verdade, ou completar um desafio dado pela pessoa que fez a questão.
— Que brincadeira maldosa, mas ao mesmo tempo, muito interessante... — respondeu Paula com certa curiosidade.
— Começa aí, Ruiva — continuou Stanley.
— Eu adorava brincar disso com minhas primas de Azalea, algumas chegavam a sair chorando, outras caíam na porrada! Adoro essa brincadeira. Que os jogos comecem.
Vivian rodou uma garrafa pet no chão que apontou para ela própria e Dawn que estava do outro lado. A ruiva teria de fazer uma pergunta e Dawn tinha de respondê-la. Ela pensou, pensou, pensou, e por fim olhou em direção da moça e riu.
— Qual o hábito mais irritante que seu namorado tem? Vamos descobrir algumas coisinhas do Lucky-chan. Hih, hih, hih...
Dawn ajeitou-se em seu lugar.
— Bom, ele olha muito para outras garotas... Mas acho que o mais irritante mesmo é ele ter ciúmes de mim com outras mulheres.
Stanley caiu na risada ao ouvir aquilo.
— Fala sério, Lucky! Ciúmes da sua garota com outra garota?
— Manolo, tu não sabe, é que você não viu a loiraça que estava dando em cima dela! Tenho todos os motivos do mundo para desconfiar... Minha vez de perguntar. Dawn, você já beijou outra mulher?
A garota parou e começou a suar frio. Até mesmo Vivian ficou mais apreensiva e Lukas chegou a levantar-se quando ela demorou a dar uma resposta.
— Bem, eu... Nem está na sua vez!!
— Ou diga a verdade, ou...
— Vai um desafio.
Seus amigos se entreolharam, e depois Luke caiu na risada.
— Tá bem, tá bem. Fique com seus segredinhos. Vai lá no balconista e pede mais uns três refrigerantes... Vai um fácil só dessa vez.
Dawn acenou e logo deixou a sala. Stanley perguntou no mesmo instante:
— Quem era a loira?
— Maldita Cynthia, o charme dela cativa até as outras mulheres...
Assim que Dawn retornou com os refrigerantes, a brincadeira continuaria.
Stanley teria de perguntar algo para Lukas.
— Você já fez xixi na calça por não ter tido tempo de ir ao banheiro?
— Que pergunta ridícula! Só quando eu era muito pequeno, mas isso conta?!
Paula deu uma risadinha.
Em seguida, era ela quem estaria fazendo uma pergunta para Luke.
— Se você tivesse apenas 24 horas de vida, o que faria?
— Cara, isso é bem difícil... Costumo viver meus dias sempre esperando o amanhã, sempre formulando projetos, então não sei se eu seria capaz de aproveitar como devo. Mas para ser bem sincero, eu poderia passa-lo aqui com vocês, nessa roda de amigos, exatamente como estamos!
Outro trovão ribombou lá fora quando Luke rodou a garrafa que agora apontava para Vivian e Dawn, mais uma vez. Era a ruiva quem faria a pergunta.
— Olha lá, hein? Você já me colocou em uma cilada agora há pouco...
— Tranquila, fofa. Você já traiu seu namorado?
— VIVIAN!
— Pessoal, não é por nada, mas acho que vocês estão inventando algumas regras, e... — Stanley estava encolhido em seu canto até Vivian sufoca-lo com uma almofada.
— Pssssssht!! Calado. Minha brincadeira, minhas regras. O jogo é meu e eu faço o que eu quiser. Tô louca é para fazer uma pergunta para a Paulinha, me aguarde... Opa, tenho que desafiar a Dawn a fazer alguma coisa, né? Deixa eu ver...
Logo Dawn estava aceitando mais um desafio, imitando um Ducklett no meio da praia debaixo da chuva enquanto seus amigos riam.
— Já chega, galera. Está congelado lá fora. Entra logo, Dawn, você vai pegar um resfriado com essa chuva — disse Luke, cobrindo a moça com uma toalha e abraçando-a para que pudesse aquecer-se.
A garrafa girou muitas, muitas vezes. As horas se passavam e os jovens mal notavam, queriam que o tempo tivesse parado ali para sempre. Eles riam e falavam alto, a equipe da recepção veio reclamar duas vezes, mas não havia praticamente ninguém na pousada e eles continuavam a rir da brincadeira.
Na próxima vez que a garrafa foi girada, seriam os gêmeos os participantes.
— Tudo bem, irmão — disse Lukas. — Qual a coisa mais constrangedora que você já fez?
Luke deu uma risada na hora, como se soubesse exatamente o que contar.
— Cara, tinha uma mocinha que era apaixonada por mim no colegial... Aí ela me chamou para ir em uma festa junina... Estava bem frio, que nem hoje, e eu falei: Hoje está frio, não? Então ela esticou as mãos para que pudesse me esquentar, e eu dei um tapa na mão dela ao gritar: TCHUUU!!! Brincadeirinha!!!
Seus amigos não se aguentaram de rir com aquela confissão, e até mesmo Paula não escondia o riso.
— Que maldade! — disse a mulher.
— Ahh, qual é, nós éramos só amigos, ela é quem queria ir além! Putz grilla, tem outra!! E foi recentemente ainda! Eu tava indo pro banheiro do shopping quando vi uma loira linda sentada em uma banqueta lá perto. Eu fiquei encarando a moça, e ela também retribuiu o olhar. Mas o foda é que eu nem tinha me tocado que eu tava secando ela, foi acidente, eu juro! Aí ela sorriu, e eu sorri de volta...
— Eu lembro dessa!! — continuou Lukas. — Então o Luke veio até mim com um sorriso de orelha a orelha, e falou: Cara, vi uma mina mó gata no banheiro agora há pouco. Ela sorriu para mim, e quando eu sorri de volta ela caiu na risada. Deve ter me achado atraente! Eu fiquei prestando atenção no rosto do meu irmão e eu respondi: Nossa, você está com um pedaço de carne no meio do dente.
— É assim que faz as minas caírem na risada. Gosto de fazê-las sorrir. Em compensação, minha reputação já era. Espero nunca mais encontrar aquela mulher...
Até mesmo Luke ria da gafe que cometera, tanto que compartilhava aquela experiência com seus amigos. Eram muitas revelações para uma noite só. Os trovões continuavam soando ameaçadores do lado de fora, mas por um instante todos haviam se esquecido que eles estavam lá.
Luke pegou a garrafa e girou:
— Beleza, galera. Já é quase meia noite e nós estamos fazendo barulho demais, vamos amenizar. Essa é a última antes da gente pensar em outra coisa para brincar.
A garrafa parou, e mais uma vez apontou para Vivian e Dawn fazendo com que todos os demais já imaginassem o que viria.
— Por favor, Vivian, seja bondosa comigo...
— Você já foi “íntima” de alguém em algum lugar público?” Hah, hah, hah...
Dawn passou a mão em seus cabelos já aceitando a derrota.
— Okay, chega. Estou cansada de responder. Manda um desafio logo.
— YES!! Eu sou a mestra das perguntas embaraçosas!! É por isso que todo mundo detesta brincar disso comigo! É que nem jogar dois ou um de dois, eu sempre ganho! Deixa eu ver, deixar eu ver... Hm... Já sei!! Eu desafio você a tomar banho com todos nós juntos!!
— Atchôo!! — a garota espirrou, limpando o nariz. — Como é?
Por um instante todos os olhares se voltaram para Vivian que cruzou as pernas e esticou os braços no sofá.
— Yeah, vamos tomar banho todos juntos! Foi culpa minha você ter saído na chuva lá fora imitando todo tipo de Pokémon existente, e depois ficou tomando refrigerante gelado e tomando friagem na varanda. Agora você está resfriada por minha causa, vou ficar tristinha! Vamos arcar com as consequências, vamos entrar no ôfuro da pousada!!!
— Ôfuro? — indagou Paula.
— É tipo uma hidromassagem... Meio íntima. O certo mesmo é jacuzzi, mas é melhor não contrariarmos a Vivian... — disse Lukas com uma risada.
— Vamos lá, galera, nós fizemos algo parecido quando estávamos em Hearthome, e nem faz muito tempo!! Gente, sorry por morrer de amores por banheiras, mas é tãoooo sexy!
Por um instante o silêncio prevaleceu, mas Stanley que estivera quieto até então coçou a cabeça a sorriu.
— Eu topo.
— Você mudou mesmo, hein? Aprendeu a seguir o ritmo da Vivian? — brincou Luke, notando que Dawn realmente precisava de um banho quente, e ele não perderia aquela oportunidade por nada. — Eu também apoio a ideia, seria muito... divertido.
— YEAH!! Lukas-kun, só falta você e a Paulinha.
— Bem, eu... — o garoto revirou os olhos, vendo na expressão de sua companheira que ela também parecia muito interessada em experimentar algo novo. — Que mal tem, né?
Os jovens saíram do quarto e seguiram até um dos pequenos salões da pousada. De fato, havia uma banheira ali. Vivian sabia porque já estava hospedada lá há um pouco mais de tempo, e finalmente encontrara companhia para experimentá-las como tanto sonhara.


— Eu pensei em vir com Stanley, mas fiquei com medo dele me atacar e perder o controle. É que eu sou muito gostosa, sabe? Aí eu seria obrigada a ficar com ele — dizia a ruiva, já vestida apenas de toalha de banho para entrar no ôfuro.
— Isso se não fosse o oposto, né... É mais provável que você é quem enlouquecesse aí dentro — disse o loiro com uma risada, segurando num dos braços de Vivian que voltou-se para ele e chegou bem pertinho de seu rosto.
— Ora, ora, está ficando animado? Saca ó a beleza do meu corpitcho!
Vivian virou-se para ele a arrancou a toalha.
Luke e Stanley gritaram de medo.
— Auuuuuuugh!! Não, não, não!! Eu não quero ver o que você tem aí embaixo, Vivian!!! Cubra já isso, e... Ah, você está com roupa de banho.
— Claro que estou, seus mané. Não queria que todo mundo ficasse pelado aqui, né? Só faço isso com minhas primas de Azalea, machos são forbidden. Vamos logo, vistam-se. Sou eu que não quer ver o que vocês, homens, têm guardado aí. Por enquanto.
Vivian finalmente entrou na banheira, seguida de Dawn, Stanley, Luke e Lukas. Quando Paula preparou-se para entrar, o ôfuro praticamente já transbordava, e com a altura da mulher tudo chegou ao seu limite e água escorreu para todos os lados, fazendo os demais rirem.
— Opa — disse Paula um pouco sem graça.
— Caramba!! Tá meio gordinha, hein, amiga? — caçoou Vivian.
— Ah, me desculpe, é que os meus peitos são um pouco grandes — respondeu a mulher levantando-os para cima e para baixo, uma vez que Vivian não tinha nada daquilo para glorificar-se. Lukas ria enquanto seu irmão segurava um sangramento nasal.
— Saquei, saquei... Então o Lukas-kun sempre curtiu mulheres turbinadas... É por isso que eu nunca consegui nada — comentou Vivian um pouco arrependida. — Pega nada, sempre tem alguém que curte uma vareta. Né, Loiro?
— Não sei de nada... — respondeu Stanley.
Luke ajeitou-se mais ao lado de Dawn, de modo que pudesse sentir os contornos de seu corpo e envolvê-la com carinho. Ele voltou seu olhar para seus rivais e perguntou:
— Mas me diga aí, vocês dois. Também estavam indo para Sunyshore?
— Na verdade estávamos saindo de lá — respondeu Stanley. — Eu... Eu perdi para o Volkner.
Luke quase gelou ao ouvir isso, pois sabia que Stanley era poderoso, e ainda assim, havia sido derrotado. Vendo que o rapaz ficara triste em tocar no assunto, Vivian logo tentou animá-lo.
— Mas foi uma batalha animaaaaal! Meu Loiro deu tudo de si, mas aquele cara é um monstro. Só falta uma insígnia para ele, e uma fita para mim. Estamos voltando para Hearthome para competirmos por lá.
— Puxa, se não fosse por isso nós iríamos convidá-los a se juntarem conosco... — disse Lukas um pouco chateado. — Acho que mais uma vez acabamos nos desencontrando. Cada um para um lado.
— Pois é, nesses dias fica bem difícil marcar encontros com os amigos... — comentou Stanley. — O tempo vai passando e você começa a perceber que cada encontro com as pessoas que você gosta valem ouro.
Os seis integrantes se entreolharam, um pouco tristes porque logo aquele encontro maravilhoso teria um fim. Já havia parado de chover, e eles nem haviam notado. Dawn aninhava-se nos braços de Luke enquanto todos os demais continuavam em silêncio encarando os rostos e as expressões de seus amigos como se somente o fato de tê-los ao lado já era seu maior presente.
— Bom, amanhã já estaremos de saída. Iremos para Sunyshore, e Stanley... — chamou Luke em direção de seu rival. — Pode deixar que eu vou acabar com o Volkner por você.
— Quero ver, parceiro. Vai lá e mostre para aquele cara que ninguém é invencível — sorriu seu rival de maneira amistosa. — E também é bom começar a treinar, cara. A Liga Pokémon no fim do ano está bem longe, mas todos que vão participar estão iniciando uma rotina excessiva de treinos. E no fim das contas, haverá apenas um vencedor.
— Só tem uma coroa, deixa o verdadeiro rei governar — respondeu Luke com uma risada.
Vivian esticou seus braços para os lados e apoiou as pernas sobre seu namorado. Todos ficaram em silêncio mais uma vez, vendo as chamas nas velas crepitarem e a noite passar lentamente.
— Só eu que sinto como se a minha vida tivesse uma trilha sonora? — perguntou a ruiva com uma risada. — Neste instante, é como se um passarinho estivesse cantando em meus ouvidos. Ele está dizendo o seguinte: Ei, todos nós sabemos que é tarde, e você deve ir para a cama. Sei que a vida é difícil e dormir faz bem para você, mas às vezes a vida é tão difícil que você simplesmente não quer dormir. Então venha, vamos dar uma volta por aí...
— Ouviu isso em alguma música? — perguntou Dawn.
— Nope. Eu sei lá, inventei agora... Eu só não queria voltar para o mundo normal.
— Então proponho um juramento! — Luke levantou-se num pulo. — Um juramento da amizade. Sei que é bobinho, mas vamos lá, coloquem suas mãos aqui e vamos selar nossa amizade.
Todos apoiaram as mãos sobre as de Luke, de modo que todas elas estivessem juntas exatamente no centro da banheira. O rapaz olhou para os lados, para sua garota, seu irmão, seu melhor amigo e a namorada dele, para uma lendária guardiã do espaço... Todos eles faziam parte de sua vida, e ele jamais iria esquecê-los.
— Vamos lá, no “três” todos nós vamos jogar nossas mãos para o alto e selar nossa amizade! Um, dois, três, já!
Prevaleceu o silêncio.
— Era no “três” ou no “já”? — perguntou Stanley.
— Desculpe, sou meio lenta quanto ao sentido que os humanos dão para algumas coisas. Qual exatamente nossos intuito com isso? Estamos invocando algum tipo de espírito? — perguntou Paula.
— Ahh, chega disso. — respondeu Vivian, levantando-se da banheira. — Minha mão já está até enrugada, sou tipo uma velha. Galera, proponho uma última partida! Desafio todos nós a dormirem no mesmo quarto, naquele cubículo que vocês alugaram, o que acham? Eu chuto e soco durante a noite. Quem ficar ao meu lado vai levar porrada.
— A Dawn levanta — respondeu Luke com uma risada. — E também fala sozinha, já ouvi ela falar uma linguagem mais esquisita do que a dos Unown!
— Tudo bem, crianças. Hora de ir para cama — respondeu Paula, acolhendo todos em seus braços e preparando-os para dormir. Lukas parecia descontente.
— Eu não queria dormir... Amanhã tudo volta à rotina normal... Cada um para um lado.
— Mas sempre vai haver uma próxima oportunidade. Não é isso que você falava? Os pequenos momentos? A morte é certa em nossa vida, mas são esses momentos que fazem toda a diferença. Espere por eles, torça por eles. E você perceberá que sua vida valeu a pena.
Eles mal poderiam esperar pela próxima.

      

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