Posted by : CanasOminous Jun 21, 2014

Capítulo 4
O Mistério do Triângulo

Helen debruçava-se sobre sua carteira sem ter muita certeza do que fazia. Havia estudado algumas horas, mas na hora da prática era como se todo seu estudo não tivesse valido para nada. Balançava o lápis de forma frenética, podia sentir o suor em seu rosto que estampava claramente a expressão de alguém que não tinha a mínima ideia do que fazia. A garota estava muito concentrada em sua prova até ouvir um rápido assovio vindo da carteira de trás, era Wes.
O rapaz não disse nada, apenas lançou um rápido olhar, ergueu o cenho e apontou para a prova da menina com a cabeça. Helen negou várias de forma apavorada, sussurrando na sequência:
— ...mas eu não sei nada...
— ...só coloca a prova mais pro lado... — respondeu Wes.
Helen posicionou sua prova mais para a esquerda enquanto tentava continuar a fazer as contas num rascunho. Era terrível em passar cola para os outros, mas por sorte Wes dominava essa arte com maestria. Eram cinco alternativas, daquelas que se erradas já diminuem sua nota em grande escala. O sinal tocou e alguns alunos se levantaram, Helen puxou sua prova com velocidade e foi para a carteira do professor entregá-la. Wes estava com os pés apoiados na carteira da garota com um sorriso espontâneo em seu rosto.
— Obrigado, Pai do Céu! Por ter colocado essa figura bondosa em minha frente! — disse Wes esticando as mãos para o alto — Tô te devendo essa, Helen.
— Eu havia dito que eu não sabia nada, e você copiou tudo do mesmo jeito? — perguntou ela indignada.
— Poxa, se você não sabia nada, então imagina eu! Não tive tempo pra estudar ontem, fiquei no trabalho ajudando meu avô até de tarde. Você pelo menos estudou, não é?
— Sim, mas... Acho que não foi o suficiente. Me distrai no meio da tarde, e quando eu já vi era quase hora de dormir.
A garota virou-se para frente novamente quando o professor pediu para que todos se sentassem. Wes estava esparramado na carteira, e para sua felicidade, o velho mestre havia feito um anuncio que deixaria todos ainda mais na expectativa.
— Ele vai corrigir todas as provas agora. — cochichou um dos alunos.
Helen congelou, levou suas duas mãos ao peito pensando no quanto poderia ter tirado, estava ainda mais preocupada pelo fato de que as notas de seu colega também estavam em jogo, e caso Wes fosse mal, ela seria a culpada.
O professor corrigia tudo com enorme velocidade, se as contas serviam para algo naquele momento pareciam ter sido só para gastar o tempo. Cinco perguntas, cada qual com cinco alternativas e apenas uma correta. Faltavam apenas alguns minutos para o sinal tocar, e se Helen tivesse sorte ele não teria tempo de corrigir a prova dela. Talvez a sorte não caminhasse com ela naquela manhã, uma vez que o professor levantou-se e começou a entregar as provas já corrigidas e finalizadas. Quando o o sujeito chegou em Helen o velho calvo soltou um longo suspiro e balançou a fronte negativamente.
— Precisa estudar mais, mocinha. — disse o professor.
Dois pontos. Havia acertado apenas uma das alternativas, e com isso, precisaria estudar o dobro para não ficar pegar dependência naquela matéria. Sentiu até vontade de chorar, levou a mão até sua boca em sinal de desgosto, mas assustou-se ao ouvir uma alta risada vinda da carteira de trás.
— Hah, hah, hah!! Uuuuuuuuuum! — riu Wes, fazendo um sinal do número um com seu indicador — Ganhei essa nota porque o professor ainda foi generoso em dar porque pelo menos eu tentei. Fala aí, Helen. Quanto você tirou? DOIS?? Como assim mais do que eu? Hah, hah, hah!
Helen estava chateada, mas abriu um leve sorriso quando viu que não era a pior da sala naquela matéria. Wes aprontou-se e perguntou novamente:
— Cara, como é que a gente faz a mesma prova e consegue tirar notas diferentes?
— Olha só essas notas no rodapé... O Professor disse que exercícios sem resolução valem metade da nota. — respondeu ela de forma triste — Me desculpe, de verdade... Eu não queria fazer você ter tirado nota baixa...
— Tá de brincadeira?
Por um momento o rosto do rapaz ficou sério. Helen virou-se imediatamente pensando que Wes tivesse ficado zangado com ela por algum motivo, mas ele apenas colocou a mão no ombro da menina e deu dois tapinhas como colegas próximos.
— Você me fez um favor ajudando nessa prova, não tem a nada a se desculpar, não. O esquema é que da próxima só vamos ter que estudar um pouquinho mais. — explicou Wes com um sorriso.
Helen sorriu e agradeceu a compreensão. Quando se virou logo pôde ver a professora de geografia iniciar a nova aula com um adorável livro que aparentava ter por volta de seu meio século de vida. A velha colocou seu material em cima da mesa e segurou o livro azul com as duas mãos estampando um sorriso forçado e provocador:
— Lembram-se o que vocês precisam terminar de ler para daqui a três semana para uma atividade em dupla?
— Livro nãoooooooo... — apenas murmúrios e balbúrdia podiam ser ouvidos vindo dos alunos remanescentes ainda vivos depois de uma prova de matemática daquele escalão.

• • •

Quando Helen voltou para seu apartamento por um momento preferiu esquecer-se de tudo. Foi até a cozinha e depois de tomar um copo de leite foi direto para sua cama deitar-se com a cara enfiada em seu travesseiro. Estava mentalmente exausta, estudar a noite passada para ganhar uma nota daquelas era decepcionante, e se quisesse fugir do penhasco das notas vermelhas precisaria reconstruir uma rotina de estudos urgentemente. Virou-se para o lado e lá estava seu Pikachu de pelúcia em cima da mesinha de estudos.
— É decepcionante ir mal na prova depois de tantos estudos, não é? — perguntou Will.
— Você não faz ideia... — resmungou Helen.
— Eu disse que poderíamos ter ficado brincando. Você estudando ou não, sua nota seria a mesma.
— Pelo menos posso dizer que tentei.
Helen virou-se para o lado como se naquela manhã não estivesse procurando muito assunto com seus amigos bonecos. Estava frustrada pela nota, chateada por ter feito Wes ir mal, e para piorar, tinha um livro imenso e insuportável para ler, sendo que teria uma atividade para nota em algumas semanas. Helen sentou-se na cama e abriu sua mala procurando o livro que já estava lá a dois meses sem ter jamais sido aberto. Era uma capa com um navio naufragado, trazia letras garrafais de cor amarelada e em tonalidades azul escuro que esbanjavam um certo mistério para quem o observava.
— O Triângulo das Bermudas. Tem como algo assim ser interessante? — indagou Helen.
— Devo dizer que sim, Senhorita. — aprontou-se o ratinho elétrico — Sinto cheiro de aventura, e uma viagem pelos oceanos seria a forma mais acessível de encontrarmos nosso quarto integrante e descobrirmos os mistérios da Ilha dos Sonhos.
Helen estava surpreendida com a ideia que tinha acabado de ter, fingir estar numa aventura por oceanos desconhecidos era a melhor forma de entreter-se com aquele livro e ainda criar uma nova aventura.
— Will, chame o Wes e o Stanley. Hoje desvendaremos mares desconhecidos, roubaremos tesouros e desafiaremos monstros antigos. Vamos velejar.
A aventura de Helen e sua companhia seria dada no Oceano Atlântico, mais especificamente numa área denominada o Triângulo das Bermudas, conhecida por seus inúmeros acidentes sem explicações ocorridos entre os anos 40 e 50. Helen içava a vela de sua mente, seus Pokémons preparavam o navio e seguiam em direção da Ilha dos Sonhos, apenas aguardando as ordens de sua capitã, que no momento lia seu livro calmamente deitada em sua cama.

“Nenhuma brisa movimentava o barco, tão morto estava o vento indolente nesse mar preguiçoso que qualquer marinheiro se jogaria nas águas alegando tratar-se de um manto de terra. O mar não era muito profundo, a superfície da terra estava apenas coberta por um pouco de água, e os monstros marinhos se moviam continuamente de um lado para o outro ameaçando nadar por entre navios fantasmas, navios vagarosos e apáticos.”

Helen devorou as primeiras páginas, pensava em cada ocorrido como uma oportunidade de ingressar o acontecimento em sua aventura matinal. A cada capítulo reunia o grupo de Pokémons e contava algo novo que havia aprendido.
— O caso mais famoso foi o Vôo 19, evento ocorrido em dezembro de 1945. Foi um ocorrido onde cinco aviões desapareceram misteriosamente sem deixarem rastros... As bússolas não funcionavam, as interferências nos rádios começaram a ocorrer, e os aviões não puderam mais manter contato com a torre. — dizia Helen, enquanto lia atentamente cada parágrafo do livro em voz alta — Um sexto avião foi enviado para auxílio, e então, simplesmente desapareceram. Todos eles. Como se evaporassem da face da terra.
— Por Arceus, Senhorita. E estaríamos mesmo navegando para esses oceanos? — perguntou Will, vendo que sua treinadora continuava completamente entretida no livro.
 Foram as últimas palavras ouvidas de um dos aviões do vôo 19: ...parece que...nós estamos... — e fechou o livro. Seus bonecos a olhavam atentamente — Vamos retomar a aventura.
Mais uma vez o manto de calmaria se formava em sua frente. A capitã Helen ordenava que sua trupe dos mais poderosos marujos seguissem até onde as luzes brancas se localizavam. Luzes aquelas citadas por Colombo em suas explorações, e agora, sendo mais uma vez buscadas pela maior navegadora de todas.
Sua embarcação era grande o suficiente para suportar o tamanho de seu dragão continental, tal como o golem de puro aço pressurizado nas mais densas profundezas do mundo. Toda aquela água parecia ser um pesadelo para o dragão que tinha verdadeiros rivais vindos do oceano, mas naquela aventura em especial Helen não pretendia incluir ninguém que fizesse frente ao seu Pokémon preferido.
— O mar é traiçoeiro, Helen. Devemos ter cuidado. — disse Wes.
— Não se preocupe, o navio não vai afundar, não enquanto eu estiver aqui para defendê-lo. — ela respondeu.
— Não duvido de sua força numa batalha, e eu também garanto que eu iria protegê-la a qualquer custo, pois é o meu dever. Porém, acredito que existam criaturas mais sinistras nas profundezas dos oceanos.
Helen estava pensativa. Stanley, seu Registeel, assumia o leme e guiava o navio para águas distantes enquanto Pikachu estava à procura de ilhas, mas nada podia ser visto.
— O tempo está perfeito para navegar, tanto nos mares quanto nos céus. — disse Will.
— E seria possível navegar nos céus? — perguntou a garota.
— Só se você quiser.
Se o perigo cobria os mares, então ela deveria seguir para onde estaria segura. O navio deu um enorme salto, suas velas acompanharam o ventos e elevaram a embarcação para onde as estrelas habitavam. Um forte vento serviu como impulso e mergulhando num mar de nuvens o navio começou a seguir seu caminho.
Helen estava certa em guiar sua equipe por aqueles lados, voltou para sua cabine para ler um pouco mais de seu livro, mas se deparou com mais desaparecimentos daquela região nos céus. O livro dissera que uma estranha neblina cobria os aviões antes deles desaparecerem, seguidos de uma forte luz.
— Senhorita, estamos para entrar numa forte camada de nuvens. — anunciou Will.
Era exatamente aquilo que ela precisava.
— Virar. Devo? — perguntou o golem de aço.
— Siga o curso, Stanley. O que eu quero está dentro dessa ilha de nuvens.
Não haviam trovões, não haviam indícios de chuva. O vento guiava o navio aéreo para dentro daquela cortina branca de modo que todos fossem tomados por um forte brilho que os cegou por um momento. Helen hesitou, mas permaneceu firme em sua posição. O Groudon envolveu sua dona para protegê-la, pois sabia que algo se escondia naquelas nuvens. Registeel e Pikachu também se aproximaram, de modo que os quatro aventureiros formassem um círculo e se defendessem do que for que existisse ali.
O navio parou. Em pleno céu, no meio da neblina. Groudon prontificou suas garras e preparou sua armadura de cor escarlate, o golem cerrou seus punhos olhando tudo a sua volta atentamente. Pikachu saltou no ombro de sua treinadora e perguntou:
— O que o livro dizia sobre as neblinas?
— Dizem que quando os aviões adentravam essa neblinas o sinal dos rádios se perdia completamente. O efeito de eletromagnetismo interrompia as bússolas, e nunca mais se ouvia falar de seus tripulantes. Sem destroços, sem sobreviventes. É como se eles fossem absorvidos para outra dimensão. Outro planeta.
— E o que habita outros planetas, Senhorita?
Helen havia tido a ideia perfeita para aquela ocasião.
— Alienígenas.
Um raio vermelho foi disparado em direção de Groudon, que por ser uma figura imensa era facilmente reconhecido como um inimigo. O dragão sequer recuou, nada podia perfurar sua armadura vermelha. Wes rugiu e lançou uma explosão de fogo na neblina, e no meio das labaredas a figura distorcida de uma criatura se protegia.
O invasor mudou de forma. De algo circular assumiu uma figura extremamente rápida, e quando atacava mudava de formato novamente. Ninguém tinha ideia do que combatiam.
— Wes, lance o Fire Blast! Stanley, utilize o Lock-On e certifique-se de onde o inimigo está! E Will, envolva a combinação dos golpes com o Thunder!
— Deixe comigo, Senhorita!
O golem utilizou seus sensores para prever exatamente o que os atacava, Groudon expeliu chamas de sua boca com enorme potência, e por fim, toda a nuvem se envolveu num manto cinzento que centralizou a figura extraterrestre com um enorme raio seguido de trovões ensurdecedores. A figura foi muito danificada, indo diretamente ao encontro do barco, mas ainda parecia disposto a lutar.
— Quem é você? — gritou Helen.
A criatura começou a falar em uma linguagem desconhecida. Sua forma estava revelada, embora parecesse não ter um formato ao certo. Era como algo que a garota jamais vira em sua vida. O Pokémon correu e avançou contra a menina, mas no mesmo momento o guardião vermelho entrou em sua frente e a protegeu do impacto.
 Deixe-a em paz. — rugiu Wes de forma ameaçadora
O Groudon segurou na cabeça do oponente e lançou-o contra o convés do navio. Muito provavelmente a criatura estava pronta para acabar com aquela batalha, mas Helen pulou em sua frente e gritou:
— Não! Não o mate!
Wes hesitou, embora Pikachu tomasse frente com suas bochechas faiscantes e grunhidos de raiva.
— Por quê não? — gritou Will — Ele tentou atacar a Senhora, é nosso inimigo!
— Mas fomos nós quem invadimos seu território, ele não tem culpa se nós é quem somos os invasores aqui.
A menina olhou atentamente para a criatura em sua frente, dizendo em seguida:
— Ele é um Deoxys.
A criatura sibilou, mas seus olhos estavam centrados na garota como se a examinasse por inteiro com um simples olhar. Os olhos piscaram, e então o alienígena assumiu uma nova forma, sendo esta um formato mais humano e arredondado. Então, pôde-se ouvir uma voz mecânica:
 Sigam-me.
Deoxys disparou como um foguete e desapareceu em meio a neblina. Will grunhiu, mas devia aceitar as escolha de sua mestra, pois sabia que ela sempre estava certa. Helen pediu para que Stanley guiasse o navio e seguisse em frente, e então, quando a neblina dissipou diversas ilhas flutuantes podiam ser vistas. Uma ilha nos céus, aquela era a região da Ilha dos Sonhos.
O navio atracou em uma área rochosa com muita grama. Era um imenso campo que se estendia até onde os olhos alcançavam. Tudo era muito belo, mas então um pensamento cobriu a cabeça da menina.
— O que faremos agora?
— Eu não sei, seguimos a senhora até aqui, mas agora não há indícios daquele Deoxys sobrenatural. Será que ele fugiu?
— Eu devia ter acabado com ele. — rugiu Wes.
— O problema não é esse, eu queria ter um Deoxys na equipe, porém, acabei de me lembrar que não tenho nenhum boneco dele. Ele não poderá unir-se a nossa equipe então... — pensou Helen de forma chateada.
— O desgraçado realmente fugiu. Eu devia ter acabado com ele quando tive a chance, não vou poder me segurar na próxima, princesa. — disse o dragão indiferente.
Helen acampou ali mesmo, nos vastos campos de morros e grama baixa que tocava as nuvens. Os três brinquedos estavam posicionados um de frente para o outro enquanto Helen remexia em seu armário e gavetas a procura de algum Pokémon que pudesse ingressar em sua equipe.
O dia foi caindo dando espaço para a escuridão. Os três Pokémons já deviam estar exaustos de olharem um para a cara dos outros, e a ilha que recebia o nome de sonhos parecia ser na verdade uma imensidão sem nada. Helen estava com uma escada verificando um caixote em cima do armário, parecia ter encontrado algo, logo indo ao encontro de seus brinquedos.
— Tchans! Uma Mew que brilha no escuro! — disse ela animada.
Sua ideia era interessante para concertar o primeiro erro cometido com o Deoxys. Assim que a garota retomou a brincadeira o Pokémon alienígena voltou, porém, transformou-se novamente até assumir o formato de uma pequena gatinha de cores rosadas e olhos azulados com certa curiosidade.
— Saudações. Perdoem-me pela demora, mas agradeço por terem me seguido até aqui. Eu sou Mew, a guardiã da Ilha dos Sonhos.
— Saudações. Alienígena. — dizia Stanley.
— Uau, uma gata! Estava na hora de você contratar uma fêmea para a equipe. — disse Wes com uma risada.
— Esperem o pouco, não percebem que ela nos ajudou sem maiores motivos? Não suspeitam de ser uma impostora ou algo do tipo? — indagou Will.
Helen segurou seu Pikachu de pelúcia no colo aguardando que aquela misteriosa Mew se pronunciasse. A figura desceu até onde a menina estava, e assumiu exatamente a mesma forma que ela, Helen deu um salto para trás.
— Transform. — disse seu clone, em seguida voltando ao formato de Mew — Esta é a Ilha dos Sonhos, onde tudo que você quiser pode se tornar realidade. Pude ver seu coração, menina, e sabe o que notei?
— Vazio. — respondeu Helen, como se já soubesse o que lhe faltava.
A Mew apenas assentiu.
— Um vazio que está aos poucos sendo completado, em que você está descobrindo cada peça nova e encaixando-a nos pedaços adequados! Eu fui enviada dos céus para que você se lembre daqueles que já foram importantes para você. Não perca contato com eles!
— Do que está falando? — perguntou Helen.
— Sou sua amiga, e minha função é fazer com que nunca deixe de manter contato com seus outros amigos! Vamos lá, quando foi a última vez que você conversou com a Nicole?
— N-Na oitava série... Mas como sabe dela? — continuou a menina
— Eu sei de tudo, sou sua amiga, e compartilhamos segredos juntas.
Helen correu à procura do telefone de sua casa, discando o número de uma garota que fora sua amiga durante todo o ensino fundamental, mas que as duas acabaram por perder contato após três anos sem se verem. Nicole atendeu, e quase não acreditou tratar-se de quem era.
— Helen?
— Hm, oi, Nicole. Faz tempo não?
— Só um minuto. Sim, sim. Nossa, quanto tempo! Como é que você está?
— Bom, eu...
— Espere um pouco. Sim, hm. Ah, diga-me, então. Por que ligou para mim assim tão de repente?
— Eu queria manter contato e ver como você estava, afinal, nós somos amig...
— Ai, Helen. Será que você pode ligar mais tarde? Estou meio ocupada agora, meu namorado está me enchendo o saco e falando para mim voltar, mas vamos nos falar em breve, pode ser?
— Pode sim... — respondeu ela um pouco chateada.
— Okay então, beijos, fofa! Nos falamos na próxima! Tchau, tchau!
Helen colocou o telefone no gancho e ficou a encará-lo por um tempo. Quando voltou para seu quarto seus Pokémons pareciam acanhados e chateados por verem que sua mestra esboçava uma feição de completa decepção.
— Olha só, essa Mew só entrou pra atrapalhar. Viu o que ela fez?
— Não, Will. Ela não fez nada. Absolutamente nada. Eu é que fui muito boba em pensar que eu poderia ter amigos.
Os olhos desabaram em lágrimas e Helen correu para abraçar seu travesseiro. Sentia-se agora ainda mais sozinha do que antes, e para piorar, logo um céu cinzento anunciou a chegada da chuva que aos poucos marcava a janela de seu quarto com pingos que retratavam a solidão e a tristeza.
O que deveria ser a Ilha dos Sonhos revelou-se um verdadeiro pesadelo. Os quatro Pokémons agora estavam lá caídos, jogados no meio do quarto de uma adolescente que não queria mais brincar. A brincadeira havia terminado naquele dia. Helen virou-se em sua cama e abraçou o travesseiro contra seu rosto para tentar abafar o choro. Ela não queria que seus Pokémons a ouvissem.
— O que estou pensando? Estou com medo de chorar na frente de meus brinquedos? — sussurrou ela um pouco chateada.
— Helen.
Uma voz já conhecida pôde ser ouvida, a menina virou-se e viu o Pikachu deitado no chão com o rostinho em sua direção.
— O que foi?
— Você não tem amigos? — perguntou ele.
— Não, não tenho. — respondeu ela enxugando algumas lágrimas.
— Eu sou seu amigo. Lembra? Mas, só se for isso que você desejar.

Helen ficou quieta. Limpou o rosto, levantou-se, e pegou o bichinho de pelúcia para ficar abraçada a ele. A equipe ficou em silêncio. A vastidão da Ilha dos Sonhos logo se resumiria aos verdadeiros sonhos do sono de uma menina que aos poucos descobria cada vez mais os mistérios de sua mente, mistérios aqueles que poderiam resultar numa tragédia, ou então, em sua salvação.


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  1. Cara, quando eu vi que a aventura ia se passar no Triângulo das Bermudas já foi o suficiente pra me fazer gostar do capítulo! Eu simplesmente me amarro nos mistérios que cercam essa área perdida.

    O vôo 19 foi um dos casos mais conhecidos, mas o interessante é destacar que muitas embarcações foram encontradas posteriormente, mas nenhum sinal dos passageiros perdidos. Nem o mínimo vestígio para dizer se eles estavam vivos. Eu penso que poderia ser aquela típica ilha paradisíaca que eles encontram e não desejam mais voltar, sabe?

    MEW! O Pokémon que, na minha humilde opinião, é o hyper overpowered master lek stronda de todos os Pokémons (ignore esses adjetivos peculiares), já que ele é a origem de toda a vida Pokémon. Obrigado Mew, pela minha infância.

    A Helen está aos poucos acordando da fantasia? Eu não tenho certeza, mas você parece estar tentando abrir uma passagem de forma que ela deixe a esquizofrenia de lado para se tornar uma pessoa realmente depressiva. O que podemos concluir com isso é que a história vai ter uma mudança de rumo, e talvez isso influencie nas aventuras dela.

    A fanfic está cada vez melhor. Até a próxima!

    (Trecho retirado da Arena Pokémon, 02/07/2012)

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  2. Luiz Eduardo SouzaJuly 4, 2014 at 2:52 AM

    Parabéns pelo capítulo! Realmente ficou muito interessante, já ouvi falar muito sobre esse Triângulo das Bermudas, e me interessei muito, até que procurei mais na internet. Nossa, não pensava que uma coisa dessa existia de verdade!

    Coitada da Helen, tirou nota ruim em Matemática. É mesmo muito chato ter passado horas estudando para depois se decepcionar com uma nota que jogou todo o seu tempo fora.

    Também estou muito ansioso pelos próximos capítulos. Quero saber quais são os próximos Pokémons que a Helen irá obter. E também queria parabenizá-lo pelo ótimo mapa que fez!

    (Trecho retirado da Arena Pokémon, 03/07/2012)

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